Poema Ouve, Meu Anjo
Ouve, meu anjo:
Se eu beijásse a tua pél?
Se eu beijásse a tua boca
Onde a saliva é um mél?…
Quiz afastar-se mostrando
Um sorriso desdenhoso;
Mas ai!
– A carne do assassino
É como a do virtuoso.
N’uma attitude elegante,
Mysteriosa, gentil,
Deu-me o seu corpo doirado
Que eu beijei quase febríl.
Na vidraça da janella,
A chuva, léve, tinia…
Elle apertou-me, cerrando
Os olhos para sonhar…
E eu, lentamente, morria
Como um perfume no ar!





Mais poemas:
- Ilumina-se a Igreja por Dentro da Chuva Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia, E cada vela que se acende é mais chuva a bater […]...
- Neurastenia Sinto hoje a alma cheia de tristeza! Um sino dobra em mim Ave-Maria! Lá fora, a chuva, brancas mãos esguias, […]...
- Anjo Quando a fitar-te ainda o sol declina E a cor dos teus cabelos no Ar flutua, A tua alma na […]...
- Leve, Leve, o Luar Leve, leve, o luar de neve goteja em perlas leitosas, o luar de neve e tão leve que ameiga o […]...
- Anjo És Anjo és tu, que esse poder Jamais o teve mulher, Jamais o há-de ter em mim. Anjo és, que me […]...
- O Sr. Abbade Quando vem Junho e deixo esta cidade, Batina, Caes, tuberculozos céus, Vou para o Seixo, para a minha herdade: Adeus, […]...
- Chove? Nenhuma Chuva Cai Chove? Nenhuma chuva cai… Então onde é que eu sinto um dia Em que ruído da chuva atrai A minha […]...
- Um Vento Muito Leve Passa Leve, leve, muito leve, Um vento muito leve passa, E vai-se, sempre muito leve. E eu não sei o que […]...
- Bemdito Sejas Bemdito sejas, Meu verdadeiro conforto E meu verdadeiro amigo! Quando a sombra, quando a noite Dos altos céus vem descendo, […]...
- Esperança Tantas formas revestes, e nenhuma Me satisfaz! Vens às vezes no amor, e quase te acredito. Mas todo o amor […]...
- Serenata à Chuva Chuva, manhã cinza, guarda-chuva. Entrar no contexto, dois pontos. Ele e ela abraçados caminham sob o tecto do guarda-chuva que […]...
- Andáva a Lua nos Céus Andáva a lua nos céus Com o seu bando de estrellas. Na minha alcova, Ardiam vellas, Em candelabros de bronze. […]...
- Mãe I Dantes, quando a deixava, As férias já no fim, Ela vinha à janela Despedir-se de mim. Depois, quando na […]...
- Solidão Cai chuva, chora. Chora, chora. Solidão, solidão! Já não canta o pássaro. Calou-se a voz, a alegre, a rara. A […]...
- As Horas pela Alameda As horas pela alameda Arrastam vestes de seda, Vestes de seda sonhada Pela alameda alongada Sob o azular do luar… […]...
- Ciumes Pierrot dorme sobre a relva junto ao lago. Os cisnes junto d’elle passam sêde, não n’o acordem ao beber. Uma […]...
- Poesia Depois da Chuva A Maria Guiomar Depois da chuva o Sol – a graça. Oh! a terra molhada iluminada! E os regos de […]...
- É por Ti que Vivo Amo o teu túmido candor de astro a tua pura integridade delicada a tua permanente adolescência de segredo a tua […]...
- Natal Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia. Era gente a correr pela música acima. Uma onda uma festa. Palavras a saltar. […]...
- A Taça de Chá O luar desmaiava mais ainda uma máscara caida nas esteiras bordadas. E os bambús ao vento e os crysanthemos nos […]...
- O Echo Tão tarde. Adão não vem? Aonde iria Adão?! Talvez que fosse á caça; quer fazer surprezas com alguma côrça branca […]...
- Humildade As águas beijei, As nuvens olhei, Às árvores cantei, Na sua beleza. Os bichos amei, Na sua bruteza, Na sua […]...
- Chuva Chuva, caindo tão mansa, Na paisagem do momento, Trazes mais esta lembrança De profundo isolamento. Chuva, caindo em silêncio Na […]...
- Do Medo 1 Não pode o poema circunscrever o medo, dar-lhe o rosto glorioso de uma fábula ou crer intensamente na sua […]...
- Ortofrenia Aclamações dentro do edifício inexpugnável aclamações por já termos chapéu para a solidão aclamações por sabermos estar vivos na geleira […]...
- Epilogo Meu coração, não batas, pára! Meu coração, vae-te deitar! A nossa dor, bem sei, é amara, A nossa dor, bem […]...
- Tão Pouco Sentimento é a Emoção tão pouco sentimento é a emoção, que quando do chão a levantamos se fez leve maneira de outras águas os […]...
- Oh Retrato da Morte, oh Noite Amiga Oh retrato da morte, oh noite amiga Por cuja escuridão suspiro há tanto! Calada testemunha do meu pranto, Des meus […]...
- Sofro, Lídia, do Medo do Destino Sofro, Lídia, do medo do destino. A leve pedra que um momento ergue As lisas rodas do meu carro, aterra […]...
- Natal na Província Natal… Na província neva. Nos lares aconchegados, Um sentimento conserva Os sentimentos passados. Coração oposto ao mundo, Como a família […]...
- Chove. Há Silêncio Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva Não faz ruído senão com sossego. Chove. O céu dorme. Quando a alma […]...
- Enfermaria Nove 13 Correram as cortinas: construíram um último lugar, – indefinido trânsito: funesto, ou devido aos olhos que dez vezes já […]...
- Testamento do Homem Sensato Quando eu morrer, não faças disparates nem fiques a pensar: “Ele era assim…” mas senta-te num banco de jardim, calmamente […]...
- Cai a Chuva no Portal Cai a chuva no portal, está caindo Entre nós e o mundo, essa cortina Não a corras, não a rasgues, […]...
- Preso ao Meu Destino E preso ao meu destino eu principio onde um pequeno sol por entre as árvores perscruta o chão. Ávido enfim […]...
- Foi n’uma Tarde de Julho Foi n’uma tarde de Julho. Conversávamos a mêdo, – Receios de trahir Um tristissimo segrêdo. Sim, duvidávamos ambos: Elle não […]...
- Sêde de Amor I Vi-te uma vez e (novo Extranho caso foi!) Por entre tanto povo… Tanta mulher… Suppõe Que mãe estremecida Via […]...
- Natal Turvou-se de penumbra o dia cedo; Nem o sol apertou no meu beiral! Que longas horas de Jesus! Natal… E […]...
- A Sésta Pierrot escondido por entre o amarello dos gyrassois espreita em cautela o somno d’ella dormindo na sombra da tangerineira. E […]...
- O Mundo, o Demónio e a Carne Relâmpago adormecido entre a malva e o estalo tua penúria, ó Mundo é a minha penúria. Somos a mesma falta […]...