Poesia Portuguesa

Poemas em Português



Poema Vejo que nem um Breve Engano Posso Ter

Quando de minhas mágoas a comprida
Maginação os olhos me adormece,
Em sonhos aquela alma me aparece,
Que para mi foi sonho nesta vida.

Lá numa soidade, onde estendida
A vista por o campo desfalece,
Corro após ela; e ela então parece
Que mais de mi se alonga, compelida.

Brado: – Não me fujais, sombra benina. –
Ela (os olhos em mi c’um brando pejo,
Como quem diz que já não pode ser)

Torna a fugir-me; torno a bradar: – Dina…
E antes que diga Mene, acordo, e vejo
Que nem um breve engano posso ter.


Poema Vejo que nem um Breve Engano Posso Ter - Luís Vaz Camões