Poesia Portuguesa

Poemas em Português



Poema Noite do Roubo

A quem foram roubar os pobres trapos:
A mim, que sou humilde pobrezinho?
Olhem bem que o valor desses farrapos
Está em ter minha avó fiado o linho.

Ó rocas a fiar, contos de fadas!
Eu tinha-lhes amor e a simpatia
Que vem das saudades de algum dia,
Longe, das velhas noites seroadas.

Bragais de minha casa, e as roupas feitas
Por mãos de minha mãe, muito me assusta
Que os tomassem perversas mãos suspeitas.

Ah! mãos do furto, olhai, trazei-me à justa
Os meus linhos – suor dumas colheitas –
E amor dos meus que a mim muito me custa.

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (No Ratings Yet)
Loading...

Poema Noite do Roubo - Afonso Duarte
 »