Poesia Portuguesa

Poemas em Português

Salomé

Insónia rôxa. A luz a virgular-se em mêdo, Luz morta de luar, mais Alma do que a lua… Ela dança, […]

Rodopio

Volteiam dentro de mim, Em rodopio, em novelos, Milagres, uivos, castelos, Forcas de luz, pesadelos, Altas tôrres de marfim. Ascendem […]

Estátua Falsa

Só de ouro falso os meus olhos se douram; Sou esfinge sem mistério no poente. A tristeza das coisas que […]

Dispersão

Perdi-me dentro de mim Porque eu era labirinto, E hoje, quando me sinto, É com saudades de mim. Passei pela […]

Angulo

Aonde irei neste sem-fim perdido, Neste mar ôco de certezas mortas? – Fingidas, afinal, todas as portas Que no dique […]

Alcool

Guilhotinas, pelouros e castelos Resvalam longamente em procissão; Volteiam-me crepúsculos amarelos, Mordidos, doentios de roxidão. Batem asas d’auréola aos meus […]

Vontade de Dormir

Fios d’ouro puxam por mim A soerguer-me na poeira – Cada um para o seu fim, Cada um para o […]

Apoteose

Mastros quebrados, singro num mar d’Ouro Dormindo fôgo, incerto, longemente… Tudo se me igualou num sonho rente, E em metade […]

7

Eu não sou eu nem sou o outro, Sou qualquer coisa de intermédio: Pilar da ponte de tédio Que vai […]

Quási

Um pouco mais de sol – eu era brasa, Um pouco mais de azul – eu era além. Para atingir, […]

A Queda

E eu que sou o rei de toda esta incoerência, Eu próprio turbilhão, anseio por fixá-la E giro até partir… […]

Vislumbre

A horas flébeis, outonais – Por magoados fins de dia – A minha Alma é água fria Em ânforas d’Ouro… […]

Taciturno

Há Ouro marchetado em mim, a pedras raras, Ouro sinistro em sons de bronzes medievais – Joia profunda a minha […]

Como Eu não Possuo

Olho em volta de mim. Todos possuem – Um afecto, um sorriso ou um abraço. Só para mim as ânsias […]

Inter-Sonho

Numa incerta melodia Tôda a minh’alma se esconde Reminiscencias de Aonde Perturbam-me em nostalgia… Manhã d’armas! Manhã d’armas! Romaria! Romaria! […]

Partida

Ao ver escoar-se a vida humanamente Em suas águas certas, eu hesito, E detenho-me às vezes na torrente Das coisas […]

A Inegualável

Ai, como eu te queria toda de violetas E flébil de setim… Teus dedos longos, de marfim, Que os sombreassem […]