Poesia Portuguesa

Poemas em Português

Esplêndida

Ei-la! Como vai bela! Os esplendores Do lúbrico Versailles do Rei-Sol! Aumenta-os com retoques sedutores. É como o refulgir dum […]

Lúbrica

Mandaste-me dizer, No teu bilhete ardente, Que hás de por mim morrer, Morrer muito contente. Lançastes, no papel As mais […]

Vaidosa

Dizem que tu és pura como um lírio E mais fria e insensível que o granito, E que eu que […]

Contrariedades

Eu hoje estou cruel, frenético, exigente; Nem posso tolerar os livros mais bizarros. Incrível! Já fumei três maços de cigarros […]

Noite Fechada

L. Lembras-te tu do sábado passado, Do passeio que demos, devagar, Entre um saudoso gás amarelado E as carícias leitosas […]

Manias

O mundo é velha cena ensanguentada. Coberta de remendos, picaresca; A vida é chula farsa assobiada, Ou selvagem tragédia romanesca. […]

Lágrimas

Ela chorava muito e muito, aos cantos, Frenética, com gestos desabridos; Nos cabelos, em ânsias desprendidos Brilhavam como pérolas os […]

Responso

I Num castelo deserto e solitário, Toda de preto, às horas silenciosas, Envolve-se nas pregas dum sudário E chora como […]

Loira

Eu descia o Chiado lentamente Parando junto às montras dos livreiros Quando passaste irônica e insolente, Mal pousando no chão […]

Deslumbramentos

Milady, é perigoso contemplá-la, Quando passa aromática e normal, Com seu tipo tão nobre e tão de sala, Com seus […]

Noites Gélidas

Merina Rosto comprido, airosa, angelical, macia, Por vezes, a alemã que eu sigo e que me agrada, Mais alva que […]

Meridional

Cabelos Ó vagas de cabelo esparsas longamente, Que sois o vasto espelho onde eu me vou mirar, E tendes o […]

Frígida

I Balzac é meu rival, minha senhora inglesa! Eu quero-a porque odeio as carnações redondas! Mas ele eternizou-lhe a singular […]

Heroísmos

Eu temo muito o mar, o mar enorme, Solene, enraivecido, turbulento, Erguido em vagalhões, rugindo ao vento; O mar sublime, […]

Num Bairro Moderno

Dez horas da manhã; os transparentes Matizam uma casa apalaçada; Pelos jardins estancam-se as nascentes, E fere a vista, com […]

A Débil

Eu, que sou feio, sólido, leal, A ti, que és bela, frágil, assustada, Quero estimar-te sempre, recatada Numa existência honesta, […]

Cinismos

Eu hei de lhe falar lugubremente Do meu amor enorme e massacrado, Falar-lhe com a luz e a fé dum […]

Humilhações

Esta aborrece quem é pobre. Eu, quase Jó, Aceito os seus desdéns, seus ódios idolatro-os; E espero-a nos salões dos […]

Arrojos

Se a minha amada um longo olhar me desse Dos seus olhos que ferem como espadas, Eu domaria o mar […]

Ironias do Desgosto

“Onde é que te nasceu” – dizia-me ela às vezes – “O horror calado e triste às coisas sepulcrais? “Por […]

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