Poesia Portuguesa

Poemas em Português



Poema Desaparecido

Sempre que leio nos jornais:
“De casa de seus pais desapar’ceu…”
Embora sejam outros os sinais,
Suponho sempre que sou eu.

Eu, verdadeiramente jovem,
Que por caminhos meus e naturais,
Do meu veleiro, que ora os outros movem,
Pudesse ser o próprio arrais.

Eu, que tentasse errado norte;
Vencido, embora, por contrário vento,
Mas desprezasse, consciente e forte,
O porto do arrependimento.

Eu, que pudesse, enfim, ser eu!
– Livre o instinto, em vez de coagido.
“De casa de seus pais desaparceu…”
Eu, o feliz desapar’cido!


Poema Desaparecido - Carlos Queirós